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Pesquisa americana mostra prática de adulteração do açafrão com chumbo

No Bangladesh, um dos principais produtores da especiaria, a prática tem como objetivo aumentar o valor de mercado do açafrão por intensificar a cor amarela da substância

O açafrão é uma das especiarias mais conhecidas do mundo. Além do uso gastronômico como tempero de pratos famosos como galinhada e uma boa paella, o ingrediente também tem sido bastante utilizado para fins medicinais. As propriedades tratam males como inflamações, distúrbios gástricos, além de ser antioxidante e antienvelhecimento. Por tantas utilizações, naturalmente o açafrão tem uma demanda alta – o que faz com que alguns comerciantes e produtores adulterem o produto na tentativa de aumentar o valor de mercado.

Pesquisas feitas em Bangladesh, um dos principais países produtores do açafrão, detectaram que a especiaria está sendo contaminada por chumbo. A descoberta foi feita pelos pesquisadores da Stanford Center for Innovation in Global Health (Centro de Inovação em Saúde Global de Stanford, instituição ligada à Stanford University, da Califórnia, EUA). A irregularidade foi identificada durante uma visita da equipe às nove principais regiões que produzem o açafrão.

Histórico

Nos anos 1980 uma inundação na região de Bangladesh fez com que a colheita do açafrão fosse ruim, e a especiaria passou a ter uma coloração diferente. Os agricultores passaram a tratar a colheita com cromato de chumbo, um pigmento amarelo que deu mais cor e vida ao produto. A prática foi então adotada pelos produtores de forma recorrente.

A pesquisa envolveu uma análise química de amostras do açafrão, além de amostras do solo e de pigmentos encontrados no país. O resultado mostrou concentrações de chumbo tão altas que ultrapassam o limite nacional estabelecido em até 500 vezes, com uma média de 690mg de chumbo em cada grama de açafrão. É importante reforçar que o chumbo é um metal pesado, e bastante tóxico para a saúde humana – pode causar redução da capacidade cognitiva em crianças.

Desde 2014 pesquisadores trabalham na área rural de Bangladesh para avaliar a exposição ao chumbo que as pessoas da região sofrem. Os resultados das análises mostram que mais de 30% das mulheres grávidas tinham níveis elevados da substância tóxica no sangue. “Diferente de outros metais, não há limite de consumo seguro para o chumbo, é uma neurotoxina em sua totalidade”, explicou Stephen Luby, diretor de pesquisa do Centro de Inovação em Saúde Global de Stanford.

O que os pesquisadores recomendam

A ideia dos pesquisadores é mudar o comportamento do consumidor, além de alertar a consciência sobre os malefícios do chumbo. Desta forma, eles pretendem reduzir o incentivo aos produtores para o cultivo do açafrão com a substância tóxica. As recomendações envolvem: inspeção nas importações em todo o mundo, para detectar as toxinas; envolvimento dos consumidores em práticas focadas na segurança alimentar e saúde pública; tecnologias mais avançadas e eficientes para processamento do açafrão. Além disso, os pesquisadores fazem parte de uma equipe interdisciplinar financiada pela Stanford, com o objetivo de reduzir a exposição ao chumbo em Bangladesh e outros países.

Aos consumidores cabe sempre pesquisar a procedência da especiaria, dando preferência aos cultivados de forma orgânica e dentro do país. Uma alternativa é cultivar o açafrão em casa.