Sinhores Campinas

Evento ‘Chefs na Unicamp’

Evento ‘Chefs na Unicamp’ homenageia culinária indígena e promove reflexão sobre a ocupação de espaços públicos com gastronomia

Evento reuniu comunidade da Universidade com interessados em gastronomia e público geral, oferecendo boa comida e entretenimento a mais de 7 mil pessoas.

No início de março a Universidade Estadual de Campinas – Unicamp recebeu a segunda edição do ‘Chefs na Unicamp’, evento que reuniu o público interessado na cena gastronômica de Campinas e região. Com público de cerca de 7 mil pessoas, a edição de 2020 teve como foco e abordagem os ingredientes de origem indígena, além da oportunidade de que estudantes de gastronomia pudessem atuar na cozinha mentorados pelos grandes chefs. A ‘aposta’ na herança indígena na gastronomia foi o que marcou as atividades deste ano, como explicou o Chef Manuel Alves Filho, jornalista e curador do ‘Chefs na Unicamp’. “Nós sugerimos aos chefs participantes que privilegiassem em suas receitas ingredientes próprios da culinária indígena. A ideia foi homenagear os estudantes indígenas que ingressariam pela primeira vez na Universidade, através de vestibular específico”, explicou. “Também foi uma forma de mostrar ao público como a culinária brasileira é diversificada e influenciada por diferentes grupos populacionais”. O ‘Chefs na Unicamp’ acontece desde 2019 e deriva do ‘Chefs na Praça’, um evento criado em 2012 por quatro amigos (entre eles, o Chef Manuel). “O ‘Chefs na Praça’ nasceu com os objetivos de divulgar a gastronomia de Campinas e estimular a população a ocupar os espaços públicos da cidade. Foi a primeira grande iniciativa de evento gastronômico da cidade, e se tornou um sucesso desde a primeira edição”, contou Chef Manu, como é conhecido. Em sete edições foram atendidas pelo menos 150 mil pessoas na Praça Carlos Gomes, localizada no Centro, sendo o ‘pai’ de todos os eventos gastronômicos realizados desde então em Campinas e região, pois abriu caminho para eles. Em termos de ocupar espaços públicos, Chef Manu aproveitou o contexto do evento para abordar a questão da ‘comida de rua’. “Não temos propriamente ‘restaurantes de rua’ mas operações que ocupam ruas e espaços abertos, tendo como infraestrutura veículos (food-trucks), tendas ou barracas. Em muitos países, a comida de rua é tradicional e muito apreciada pela população. No Brasil, é uma experiência nova. Até dez anos atrás, as opções de comida de rua no país se restringiam basicamente a carrinhos de pipoca e de cachorro-quente. Nos últimos anos é que surgiram operadores servindo outras opções, como massas, pizzas, comida chinesa, comida japonesa etc”, completou. Mané explicou da necessidade de aperfeiçoamento. “Trata-se de um segmento importante. É necessário definir uma legislação mais adequada, assim como é indispensável profissionalizar os operadores”, concluiu.